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	<title>Astrologia e Comportamento Infantil, Presentes, Mapa Astral, Família &#187; Educação</title>
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	<description>Astrologia Infantil voltada para pais, educadores ou qualquer pessoa em busca de maior conhecimento sobre os filhos e crianças sob sua responsabilidade, astrokids. Criança não vem com manual mas com um mapa que caiu do Céu.</description>
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		<title>Filho ideal x filho real</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 17:34:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Outros autores</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>

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		<description><![CDATA[Sara é casada com Brian e tem dois filhos: Kate e Jesse. Aos dois anos, Kate é diagnosticada com leucemia e, a partir de então, sua mãe dedica a vida a salvá-la. Recorre até à fertilização assistida para dar à luz um filho que possa doar-lhe sangue, líquido de medula e órgãos.
É assim que nasce [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sara é casada com Brian e tem dois filhos: Kate e Jesse. Aos dois anos, Kate é diagnosticada com leucemia e, a partir de então, sua mãe dedica a vida a salvá-la. Recorre até à fertilização assistida para dar à luz um filho que possa doar-lhe sangue, líquido de medula e órgãos.</p>
<p>É assim que nasce Anna, a caçula, que passa sua vida em hospitais ao lado de Kate, pelo menos até os 11 anos. Na entrada da adolescência, decide ter o controle sobre seu corpo e recorre a um advogado para obter o que chama de emancipação médica em relação a seus pais. Passa, assim, a travar uma batalha contra sua mãe. Essa é a trama central do filme &#8220;Prova de Amor&#8221;, em cartaz nos cinemas.</p>
<p>Esse filme pode ser visto de formas diferentes. Podemos ver, por exemplo, em meio aos inúmeros dramas familiares, o acontecimento de uma tragédia que transforma a vida de todos os envolvidos e do grupo. Mas também é possível vê-lo como uma narrativa que conta parte da história de todos nós.</p>
<p>Quando uma mulher engravida, gera dentro de si um filho que, no entanto, já é gerado há muito mais tempo em sua imaginação. Assim que o filho real nasce, mãe e pai passam a travar uma dura batalha entre seus dois filhos: o real e o ideal.</p>
<p>Tal batalha é cotidiana porque é preciso renunciar ao filho ideal para que possam exercer o papel de mãe e de pai do filho que nasceu. Nem sempre é possível perceber o quanto a imagem acalentada do filho ideal impede que os pais enxerguem o filho real com suas características e dificuldades, seus limites e suas potencialidades, suas demandas e necessidades, mas isso acontece muito.</p>
<p>Sara não consegue ouvir Kate porque está totalmente empenhada em fazer com que a filha que tem sobreviva à doença, mas Kate não é essa filha. Sara não consegue conviver com o problema que Jesse apresenta na escola, por isso o envia por um ano para uma escola especializada para que lá encontrem uma solução. Sara não percebe que exige demais de Anna. Sara nem sequer percebe a relação intensamente fraterna que há entre os três irmãos, tão mergulhada que está em si mesma.</p>
<p>Brian, por sua vez, é capaz de, muitas vezes, ver e ouvir cada um de seus filhos. Ele poderia intervir para colocar sua mulher em seu lugar para ceder espaço às vidas das crianças, mas escolhe se omitir perante a força de luta da mulher para evitar conflitos, para tentar manter sua família &#8220;equilibrada&#8221;. Mas tudo o que consegue é se ausentar de seu papel de pai.</p>
<p>Há muito de Sara, por exemplo, nas mães que não aceitam que seus filhos tirem nota baixa na escola e que, para evitar isso, recorrem a toda sorte de estratégias -de contratar especialistas a estudar e fazer os deveres diariamente com o filho. Há muito de Brian nos pais que justificam a forte presença da mãe na vida dos filhos como impedimento para o exercício responsável da paternidade.</p>
<p>Temos pressionado em demasia nossas crianças e nossos jovens e ouvido e olhado pouco para eles. Precisamos inverter essa equação para que possamos nos tornar pais e mães melhores do que temos sido.</p>
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		<title>Linhas pedagógicas: veja como elas funcionam e qual tem mais a ver com seu filho</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 17:24:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Outros autores</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Cada escola usa os preceitos de uma ou mais linhas pedagógicas para &#8220;moldar&#8221; suas aulas. Essas teorias, no entanto, nem sempre se manifestam puramente no dia a dia dos alunos. Segundo a professora Cecília Hanna Mate, da USP (Universidade de São Paulo), é possível encontrar práticas que utilizam um ou mais aspectos de diversas linhas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cada escola usa os preceitos de uma ou mais linhas pedagógicas para &#8220;moldar&#8221; suas aulas. Essas teorias, no entanto, nem sempre se manifestam puramente no dia a dia dos alunos. Segundo a professora Cecília Hanna Mate, da USP (Universidade de São Paulo), é possível encontrar práticas que utilizam um ou mais aspectos de diversas linhas ao mesmo tempo, assim como é possível haver posturas individuais de escolas que seguem apenas uma dessas tendências.</p>
<p><strong></strong>A professora, no entanto, pondera que a metodologia de ensino é apenas um dos fatores que rege a sala de aula: &#8220;É fundamental entender que no cotidiano de uma sala de aula há sempre o imprevisível e o imponderável, que as tendências procuram prever, regular, classificar, pois a pedagogia é uma normatização da conduta, da inteligência e do sentimento&#8221;.</p>
<p>Segundo os especialistas consultados pelo <strong>UOL Educação</strong>, a coordenação pedagógica da escola é quem deve informar os pais sobre qual linha pedagógica é adotada na instituição. [<a href="http://educacao.uol.com.br/escolha-escola/ult7986u3.jhtm">Veja quatro perguntas para fazer ao coordenador da escola durante a visita</a>]</p>
<p>Mais do que saber a pedagogia que a escola adota, é interessante que os pais possam verificar, durante as aulas normais dos alunos, exemplos de atividades que são realizadas nas aulas, para que se possa comparar o que é dito ao que é de fato ensinado.</p>
<p>Saiba mais sobre algumas das linhas pedagógicas mais adotadas nas escolas brasileiras:</p>
<h3>Escola comportamentalista</h3>
<p><strong>Como funciona:</strong> A concepção comportamentalista enfoca a técnica, o processo e o material postos em jogo. O ensino deve ser bem planejado, com materiais instrucionais programados e controlados. O objetivo é que os resultados possam ser mensurados e que o estudante adquira os comportamentos desejados, moldados segundo necessidades sociais determinadas.</p>
<p>Por essa pedagogia, o professor tem como tarefa controlar o tempo e as respostas dos alunos, dando-lhes feedback constantes. O aluno é visto como alguém que pode aprender a partir de estímulos, que são recompensados, caso os objetivos sejam alcançados.</p>
<p><strong>Avaliação:</strong> O processo de avaliação é feito por provas, semelhantes às da linha tradicional.</p>
<h3>Escola construtivista</h3>
<p><strong>Como funciona:</strong>No construtivismo, o saber não é passado do docente ao aluno: o estudante é que constrói o conhecimento, por meio da formulação de hipóteses e da resolução de problemas. O objetivo do construtivismo é que o aluno adquira autonomia. A ênfase está no aspecto cognitivo.</p>
<p>As disciplinas são trabalhadas em uma relação mais próxima com os alunos e envolve diversos elementos, como música e dramatização. As séries são organizadas em ciclos.</p>
<p><strong>Avaliação:</strong> A linha construtivista foi idealizada para que não houvesse provas, uma vez que o aluno deve construir o conhecimento ao longo das aulas. As escolas, no entanto, podem adaptar esse conceito em suas avaliações.</p>
<p>Apesar de estar muito em voga no Brasil e em muitos países ocidentais, há também muitas controvérsias quanto à aplicabilidade do construtivismo em nossa realidade. Segundo a professora Cecília, falta de condições estruturais (como condições de trabalho dos professores e o número de alunos por sala) e aspectos políticos e ideológicos são alguns dos pontos criticados por especialistas.</p>
<h3>Escola freiriana</h3>
<p><strong>Como funciona:</strong> Pela pedagogia baseada nas ideias de Paulo Freire, que é mais voltada para a alfabetização, os aspectos culturais, sociais e humanos do aluno devem ser levados em conta. Esta postura implica em ouvir o aluno para ajudá-lo a construir confiança, para que ele possa entender o mundo por meio do conhecimento.</p>
<p>Segundo Freire, o conhecimento faz sentido para o estudante quando o transforma em sujeito que pode transformar o mundo. Bom senso, humildade, tolerância, respeito, curiosidade são alguns dos princípios defendidos por essa corrente. A educação se torna uma ferramenta para &#8220;libertar&#8221; o aluno.</p>
<p><strong>Avaliação:</strong> Assim como a linha construtivista, pedagogia de Paulo Freire não prevê provas, mas as escola podem ter avaliações.</p>
<h3>Escola montessoriana</h3>
<p><strong>Como funciona:</strong> A metodologia foi criada pela educadora italiana Maria Montessori e parte do princípio da experiência concreta e da observação. A ideia é que o aluno possa utilizar o conhecimento que já tem como base para a abstração e, assim, assimilar novos conceitos.</p>
<p>As salas de aula das escolas que adotam essa pedagogia têm, em média, 20 alunos e procuram ter diversos materiais para estimular a aprendizagem. Em vez de a professora passar as lições, as atividades ficam dispostas em sala e o aluno escolhe qual irá fazer no dia. Ele deve cumprir os módulos obrigatórios para avançar os estudos. As salas podem ser ordenadas por séries, como no ensino tradicional, ou por ciclos, com mais alunos de idades diferentes na mesma sala.</p>
<p>Segundo a pedagoga e psicopedagoga Edimara Lima, a vantagem do método é que o aluno pode aprender de acordo com seu ritmo: &#8220;Quem caminha mais rápido vai mais rápido, e quem precisa ir mais devagar recebe tarefas paralelas para aprender o que precisa&#8221;. &#8220;A criança aprende a fazer escolhas, tem exercício de independência e autonomia.&#8221;</p>
<p><strong>Avaliação:</strong> Pode ter provas ou não, de acordo com a escola. Quando não há provas, a avaliação é feita a partir dos registros que o professor tem sobre a produção do aluno. No final do ensino fundamental e do médio pode haver monografia.</p>
<h3>Escola tradicional</h3>
<p><strong>Como funciona:</strong> Na pedagogia tradicional o professor é a figura central. Ele ensina as matérias de maneira sistematizada e o aluno absorve esses conhecimentos como se fosse uma &#8220;tabula rasa&#8221;. Apesar de vigorar em muitas escolas, essa prática se instituiu por &#8220;inércia da burocracia e do cotidiano escolar e pela crença de que o conhecimento era imutável e transmissível&#8221;, segundo Cecília.</p>
<p>Nas aulas tradicionais, os conhecimentos são concebidos como verdades não sujeitas a variações nem à dependência de contextos, diferentemente de pedagogias mais modernas, em que o estudante deve &#8220;construir o conhecimento&#8221; e não simplesmente absorvê-lo.</p>
<p><strong>Avaliação:</strong> A forma de promoção é a avaliação, que mede a quantidade de conhecimento que foi memorizada. Quem não alcança a pontuação mínima é reprovado e deve cursar a mesma série novamente.</p>
<p>De acordo com a professora, muitas características do ensino tradicional estão presentes no Brasil e no mundo &#8220;já que a própria formação de professores ainda é extremamente tradicional&#8221;.</p>
<h3>Escola Waldorf</h3>
<p><strong>Como funciona:</strong> A pedagogia Waldorf prioriza as necessidades do desenvolvimento do estudante. A trajetória da criança é composta por ciclos de sete anos, nos quais ela tem um tutor. As aulas do ensino infantil nesse sistema tem ênfase em artes e em trabalhos manuais, como marcenaria, culinária etc.</p>
<p>Diferentemente do ensino tradicional, em que os alunos tem preocupações com horários e conteúdo a ser aprendido, na Waldorf o que é levado em conta são as etapas de desenvolvimento do estudante. </p>
<h3>Tendência democrática</h3>
<p><strong>Como funciona:</strong> As escolas democráticas são baseadas na Escola Summerhill, nascida na Inglaterra. Segundo a professora Cecília, elas são uma uma crítica à educação tradicional, que seria baseada no &#8220;medo e no controle baseado em ameaças veladas, presenças obrigatórias e outras imposições&#8221;.</p>
<p>Seu grande diferencial é que seus alunos não são &#8220;obrigados&#8221; a assistir as aulas obedecendo um cronograma comum, único. Eles escolhem as atividades a fazer de acordo com seus interesses. </p>
<p><strong>Avaliação:</strong> Para avaliar os alunos, procura-se abolir também lições de casa e provas; a avaliação é feita por sua participação e por trabalhos que podem ser escritos, artísticos etc.</p>
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		<title>O bom de educar desde cedo</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 17:28:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Outros autores</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Todos os Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[O prêmio Nobel de Economia explica por que deixar  de fornecer estímulos às crianças nos primeiros anos de vida custa caro para elas – e para um país
Ao economista americano James Heckman, 65 anos, deve-se a criação de uma série de métodos precisos para avaliar o sucesso de programas sociais e de educação – trabalho pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O prêmio Nobel de Economia explica por que deixar  de fornecer estímulos às crianças nos primeiros anos de vida custa caro para elas – e para um país</strong></p>
<p>Ao economista americano James Heckman, 65 anos, deve-se a criação de uma série de métodos precisos para avaliar o sucesso de programas sociais e de educação – trabalho pelo qual recebeu o Prêmio Nobel, em 2000. Nessa data, Heckman estava no Rio de Janeiro, numa das dezenas de visitas que já fez ao Brasil. Achou que fosse trote quando lhe disseram da premiação. Formado por Princeton e há 36 anos professor da Universidade de Chicago, Heckman se dedica atualmente a estudar os efeitos dos estímulos educacionais oferecidos às crianças nos primeiros anos de vida – na escola e na própria família. Sua conclusão: &#8220;Quanto antes os estímulos vierem, mais chances a criança terá de se tornar um adulto bem-sucedido&#8221;. <br />
 <strong>Em seus estudos, o senhor conclui que não há política pública mais eficaz do que investir na educação de crianças nos primeiros anos de vida. Por quê?</strong> A razão é econômica. A educação é crucial para o avanço de um país – e, quanto antes chegar às pessoas, maior será o seu efeito e mais barato ela custará. Basta dizer que tentar sedimentar num adolescente o tipo de conhecimento que deveria ter sido apresentado a ele dez anos antes sai algo como 60% mais caro. Pior ainda: nem sempre o aprendizado tardio é tão eficiente. Não me refiro aqui apenas às habilidades cognitivas convencionais, mas a um conjunto de capacidades que deveriam ser lapidadas em todas as crianças desde os 3, 4 anos de vida.<br />
 <strong>O senhor poderia ser mais específico em relação a essas habilidades?</strong> Há evidências científicas de que dois tipos de habilidade têm enorme influência sobre o sucesso de uma pessoa na vida. No primeiro grupo, situam-se as capacidades cognitivas – aquelas relacionadas ao QI. Por capacidades cognitivas entenda-se algo abrangente, como conseguir enxergar o mundo de forma mais abstrata e lógica. Num outro grupo, igualmente relevante, coloco as habilidades não cognitivas, relacionadas ao autocontrole, à motivação e ao comportamento social. Essas também devem ser estimuladas no começo da vida. Embora sejam cientificamente menosprezadas por muitos, descobri que elas estão diretamente relacionadas ao sucesso na escola – e, mais tarde, no próprio mercado de trabalho. <br />
 <strong>É realmente possível estimular esse tipo de habilidade?</strong> Sem dúvida. Obviamente, há diferenças entre as pessoas, e estamos falando de capacidades muito relacionadas a personalidade e temperamento. Mas elas podem – e devem – ser melhoradas desde bem cedo. Defendo isso por uma razão: mesmo quando as intervenções em crianças pequenas não têm impacto sobre o QI, elas costumam trazer ótimo resultado sobre as capacidades não cognitivas. Muitos especialistas tendem a reduzir tudo ao QI, que é, logicamente, primordial para prosperar numa sociedade moderna. Hoje, no entanto, não se vai muito longe sem aquilo que poderíamos chamar de traquejo social, ou a capacidade de manter o controle diante de situações adversas. Isso pode ser desenvolvido. E, quanto mais cedo, melhor. <br />
 <strong>O que falta é investir mais na pré-escola?</strong> Também. As escolas têm um papel fundamental, especialmente quanto ao desenvolvimento das habilidades cognitivas. Mas enfatizo ainda a relevância dos programas sociais que tenham foco nas famílias, de modo que elas consigam fornecer os incentivos certos num momento-chave. Iniciativas mínimas têm altíssimo impacto, como o hábito de conversar com os filhos ou emprestar-lhes um livro. Só que alguns pais precisam ser orientados a fazer isso, daí a necessidade de programas específicos. Não afirmo isso por bom-mocismo ou ideologia, mas com base em evidências. Elas indicam que qualquer tipo de intervenção que consiga despertar o interesse dos pais e fazê-los estimular, desde cedo, o aprendizado cognitivo e emocional dos filhos tem excelente custo-benefício. Infelizmente, governos no mundo inteiro ainda não se renderam ao que a ciência já sabe.<br />
 <strong>O senhor pode dar um exemplo do tipo de intervenção que funciona com as famílias?</strong> Os estudos confirmam que um programa americano da década de 60, o Perry, amplamente copiado por outros países, tem ótimo retorno. Ele consiste, basicamente, em colocar crianças pobres na escola, em salas com poucos alunos, e envolver os pais no processo educativo. O professor visita as famílias para informar o que está sendo ensinado na aula, de modo que passem a participar mais ativamente. Sem esse amparo dos pais, dificilmente uma criança vai ter motivação para aprender, o que tende a se perpetuar no curso da vida escolar e resultar em adultos sem sucesso. Está provado que a família é o fator isolado que mais explica as desigualdades numa sociedade como a brasileira. Sob esse prisma, uma criança do Nordeste começa a vida em franca desvantagem em relação a uma do Sudeste. Com programas como esses, a ideia é tentar atenuar as diferenças no ponto de partida. <br />
 <strong>O que alguém que não desenvolve as principais habilidades nos primeiros anos de vida deve esperar? </strong>Ela terá, certamente, mais dificuldade de assimilar tais conhecimentos. Os números são espantosos. Uma criança de 8 anos que recebeu estímulos cognitivos aos 3 conta com um vocabulário de cerca de 12 000 palavras – o triplo do de um aluno sem a mesma base precoce. E a tendência é que essa diferença se agrave. Faz sentido. Como esperar que alguém que domine tão poucas palavras consiga aprender as estruturas mais complexas de uma língua, necessárias para o aprendizado de qualquer disciplina? Por isso as lacunas da primeira infância atrapalham tanto. Sempre as comparo aos alicerces de um prédio. Se a base for ruim, o edifício desmoronará. <br />
 <strong>O senhor parece fatalista. </strong>Não sou. Acho uma bobagem o que pregam os cientistas que até hoje defendem a tese das janelas de oportunidade. Segundo essa teoria, existe um único momento na vida para aprender cada coisa. Ao contrário desses colegas, vejo o aprendizado como um processo bem mais flexível. É verdade que, por volta dos 10 anos, como mostram os estudos científicos, as habilidades cognitivas já estão cristalizadas e se torna bem mais difícil desenvolvê-las. Mas não é impossível. A questão central é que isso demandará mais tempo, custará mais caro e não necessariamente produzirá os mesmos resultados. <br />
 <strong>Por que é tão mais caro para uma sociedade educar suas crianças depois que elas já passaram pelos primeiros anos de vida? </strong>Isso ocorre porque é mais lento aprender toda uma gama de coisas depois da primeira infância e também porque a ausência dos incentivos corretos nessa fase da vida está associada a diversos indicadores ruins. Entre eles, evasão escolar, gravidez na adolescência, criminalidade e até os índices de tabagismo – sempre mais altos em sociedades incapazes de fornecer às suas crianças uma educação apropriada nos primeiros anos de vida. É claro que a falta de incentivos numa única fase da vida não explica 100% da ocorrência desses problemas, mas diria que o peso é grande. E isso tem seu preço. A criminalidade, por exemplo, pode ser reduzida, basicamente, de duas maneiras: investindo cedo em educação ou reforçando o policiamento nas ruas. Calculo que a opção pelo ensino custe algo como um décimo do gasto com segurança. Os Estados Unidos gastam trilhões de dólares a mais por ano só porque não entenderam isso. <br />
 <strong>Se há tanta clareza sobre os benefícios de programas que mirem os primeiros anos de vida de uma criança, por que os governos ainda resistem a essa ideia? </strong>Há, sem dúvida nenhuma, alguma ignorância sobre o que a ciência já desvendou – mas isso é só uma parte do problema. A outra diz respeito a uma questão mais política. Para investir em programas com o objetivo de intervir nas famílias, é preciso, antes de tudo, reconhecer que há algo de errado com elas. Um ônus com o qual os políticos não querem arcar. Eles passam ao largo dos fatos e, pior ainda, divulgam uma imagem mistificada. Nessa visão ingênua, a família é uma unidade inabalável, que invariavelmente proporciona às crianças bem-estar. Além de não corresponder à realidade, essa imagem idílica só atrapalha, uma vez que ofusca o problema. Mais de 10% das crianças americanas são indesejadas, e muitas dessas jamais chegam a conhecer seus pais. Que tipo de incentivo para aprender se pode esperar numa situação dessas? <br />
 <strong>Um colega seu na Universidade de Chicago, o economista Steven Levitt, apresenta em seu livro Freakonomics uma opinião diferente da sua sobre a influência da família na vida dos filhos.</strong> Levitt descambou para a simplificação absoluta de questões complexas, perigo eterno no meio acadêmico, sobretudo entre os economistas. Tendo bons números na mão, é sempre possível construir argumentos persuasivos, ainda que não passem de ciência social ruim. Uma das maiores bobagens de Levitt é justamente partir do pressuposto de que, se uma criança nasce em desvantagem, numa família que não lhe fornece nenhuma espécie de incentivo, não há nada a ser feito em relação a isso. Eu estou convicto do contrário. Só que é preciso começar cedo. <br />
 <strong>O Brasil investe sete vezes mais dinheiro no ensino superior do que na educação básica. O senhor considera essa uma inversão de prioridades?</strong> Todo país precisa de boas universidades para formar cérebros e se tornar produtivo. É básico. Mas um país como o Brasil só conseguirá realmente alcançar altos índices de produtividade quando entender que é necessário mirar nos anos iniciais. Eles são decisivos para moldar habilidades que servirão de base para que outras surjam – um ciclo virtuoso do qual resulta gente preparada para produzir riquezas para si mesma e para seus países. Os governos, no entanto, têm se mostrado bastante ineficazes ao proporcionar esse ciclo. <br />
 <strong>Os educadores costumam dar muita ênfase à falta de dinheiro para a educação. Esse é realmente o problema fundamental? </strong>O problema existe, mas não é o principal. O que realmente atrapalha nessa área é a péssima gestão do dinheiro. Se os governantes fossem um pouco mais eficazes, conseguiriam colher resultados infinitamente melhores. Em primeiro lugar, deveriam passar a tomar suas decisões com base na ciência, e não em critérios políticos ou ideológicos, como é mais comum. Veja o que aconteceu no caso da pesquisa com as células-tronco. Apesar de todas as evidências de que poderiam ser cruciais para curar doenças, deixamos de estudá-las durante oito anos nos Estados Unidos – isso por razões políticas. Um exemplo de obscurantismo em pleno século XXI. Na educação, há sempre a tentação de reduzir a discussão à luta do capitalismo contra o marxismo, da direita contra a esquerda ou de antissindicalistas contra sindicalizados. Meu esforço é justamente para trazer o debate a bases objetivas – e econômicas.<br />
 <strong>O que está comprovado sobre os benefícios da educação para um país?</strong> Cada dólar gasto na educação de uma pessoa significa que ela produzirá algo como 10 centavos a mais por ano ao longo de toda a sua vida. Não há investimento melhor. A ideia é fornecer incentivos suficientes para que o talento atinja sempre o maior nível possível. Só com gente assim a Irlanda, por exemplo, conseguiu tirar proveito das oportunidades que surgiram depois que o país se integrou à economia mundial. É também o que ajuda a explicar o acelerado enriquecimento da Coreia do Sul nas últimas décadas. Nesse cenário, não há melhor aplicação do que canalizar o dinheiro para a formação de crianças em seus primeiros anos de vida. Insisto nisso porque são os países que já estão nesse caminho justamente os que se tornam mais competitivos – e despontaram na economia mundial.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
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